Mulheres líderes na sustentabilidade: quem está mudando o jogo?

Quando pensamos nos grandes desafios do nosso tempo como as mudanças climáticas, a desigualdade social e a necessidade urgente de uma economia mais justa e sustentável, é impossível ignorar o papel fundamental que a liderança feminina ESG desempenha nesse cenário.

Por muito tempo, as posições de poder foram majoritariamente ocupadas por homens, são poucos os registros históricos de mulheres que ocupavam cargos de poder. Entretanto, uma nova onda de lideranças, impulsionada por mulheres visionárias, está redefinindo o caminho da sustentabilidade global, com o Brasil tendo importantes nomes envolvidos nesta caminhada.

Em artigo publicado no Jornal USP, é destacada a análise da professora Luciana Morilas, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) da USP, a qual evidencia que “A presença de mulheres na liderança de empresas é cada vez maior. E não se trata de incluí-las apenas para ser ter a aprovação dos consumidores, mas de uma política consistente, fundamentada, que traz resultados e precisa ser respeitada e implementada pelas organizações”.

A diversidade de pensamento, a visão de longo prazo e a maior propensão à colaboração, características frequentemente associadas à liderança feminina ESG, são exatamente o que precisamos para construir um futuro mais resiliente, tanto em escala global quanto na difícil realidade brasileira.

Mulheres que marcam o cenário da sustentabilidade

A lista de mulheres que estão fazendo a diferença na sustentabilidade é vasta. Elas atuam em governos, grandes corporações, startups inovadoras e organizações não governamentais, todas com um objetivo comum: levar adiante compromissos reais com o futuro do planeta e das pessoas. São elas que estão, aos poucos, construindo caminhos para um mundo mais equitativo e mais sustentável.

Cenário global:

Christiana Figueres: ex-Secretária Executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), ela foi uma figura central na orquestração do Acordo de Paris de 2015. Suas habilidades em negociação e capacidade de unir diferentes nações em torno de um objetivo comum é um exemplo da sua atuação na diplomacia e da colaboração feminina para melhorar a realidade do planeta.

Jacinda Ardern: ex-Primeira-Ministra da Nova Zelândia, Ardern é um exemplo de chefe de estado que integrou a sustentabilidade à política consistentemente. Seu nome tornou-se uma referência devido à implementação de metas ambiciosas para a neutralidade de carbono e foi forte atuante na proteção ambiental e na promoção do bem-estar social.

Indra Nooyi: a ex-CEO da PepsiCo, Nooyi liderou a empresa com uma visão de “Performance with Purpose”. Além da sua ação integrando a sustentabilidade e a responsabilidade social ao coração da estratégia de negócios, provou em uma grande empresa que é possível ter sucesso financeiro e impacto positivo simultaneamente.

No Brasil, vozes fortes e essenciais:

Além de Marina Silva, que abordaremos em detalhes, o Brasil conta com uma série de mulheres referências na liderança feminina ESG:

Ana Fontes: fundadora da Rede Mulher Empreendedora, Ana tem focado sua ação no pilar social do ESG, promovendo o empoderamento feminino e o empreendedorismo como ferramenta de inclusão e desenvolvimento econômico. Sua atuação tem impacto direto na geração de renda e na autonomia de milhares de mulheres em todo o país.

Izabella Teixeira: também ex-Ministra do Meio Ambiente, Izabella teve um papel estratégico nas negociações climáticas internacionais e na formulação de políticas ambientais no Brasil. Sua capacidade de articulação e sua visão é referência para a governança ambiental.

Rachel Maia: conselheira e executiva com experiência em grandes empresas, Rachel é uma defensora da diversidade e inclusão no ambiente corporativo brasileiro. Sua atuação inspira a pauta de equidade e representatividade, essenciais para o “S” do ESG.

Marina Silva: no Brasil, quando falamos em liderança feminina ESG e sustentabilidade, o nome de Marina Silva é, sem dúvida, um dos mais evidentes e emblemáticos. Sua trajetória é marcada por uma luta incansável pela proteção ambiental e pelos direitos dos povos tradicionais.

Uma figura icônica no cenário político e ambiental brasileiro. Sua vida, desde as origens como seringueira no Acre, já a conecta profundamente com a floresta e seus desafios. Foi ministra do Meio Ambiente (2003–2008), período em que o Brasil alcançou uma significativa redução nas taxas de desmatamento da Amazônia, além de ter um papel crucial na criação de áreas protegidas e na formulação de políticas ambientais inovadoras.

Sua atuação sempre foi pautada pela ciência, pelo diálogo com a sociedade civil e pela busca de um desenvolvimento que concilie economia e conservação.

Após um período fora da pasta, Marina Silva retornou, em 2023, ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima em um momento crítico para o Brasil e para o planeta. Seu retorno foi visto com grande esperança por ambientalistas e pela comunidade internacional, que enxergavam nela a capacidade de reconstruir a governança ambiental brasileira, fragilizada nos anos anteriores, e recolocar o país na liderança das discussões climáticas globais.

A jornada de Marina Silva é mais que um lembrete de que a liderança feminina ESG não é apenas sobre criar estratégias. Sua trajetória conta também sobre a perseverança de implementá-las em contextos desafiadores, enfrentando resistências e mantendo-se fiel aos princípios da sustentabilidade, com um olhar constante sobre a realidade e as necessidades do povo brasileiro.

Acelerando a mudança

A presença e o fortalecimento da liderança feminina ESG são cruciais para acelerar a transição para uma economia global mais justa e sustentável, e no Brasil isso se torna ainda mais evidente dada a urgência de nossos desafios socioambientais. Elas não só trazem uma perspectiva diferente para a mesa de decisão, mas também inspiram uma nova geração de líderes.

  • Referências e inspiração: quando mulheres alcançam posições de destaque no ESG, elas abrem caminho e servem de modelo para outras, incentivando mais meninas e mulheres a buscarem carreiras e estudos nas áreas de ciências, meio ambiente e gestão no Brasil;
  • Networking e mentoria: redes de apoio e programas de mentoria liderados por mulheres são essenciais para capacitar e impulsionar novas líderes no campo da sustentabilidade, fortalecendo a rede de profissionais engajadas no país;
  • Promovendo políticas e práticas inclusivas: a liderança feminina ESG muitas vezes defende e implementa políticas que promovem não apenas a sustentabilidade ambiental, mas também a equidade de gênero, a diversidade e a inclusão dentro das organizações e da sociedade brasileira, combatendo as históricas desigualdades.

O futuro do Brasil é mais verde com lideranças diversas

A liderança feminina ESG não é apenas uma tendência; é uma necessidade inadiável para enfrentar os desafios complexos do século XXI, especialmente para um país com a biodiversidade e as desigualdades sociais do Brasil.

Mulheres como Marina Silva e tantas outras, com sua visão, resiliência e capacidade de colaboração, estão provando que a diversidade nas lideranças não só é ética, mas também mais eficaz e fundamental para um desenvolvimento verdadeiramente sustentável.

Ao reconhecer, apoiar e investir em mulheres líderes na sustentabilidade no Brasil, estamos não apenas promovendo a igualdade de gênero, mas também construindo um caminho mais promissor para o nosso país e para as futuras gerações.

Mais do que reconhecer essas líderes, precisamos garantir que o caminho delas seja menos solitário e mais replicável. Porque sustentabilidade sem diversidade é só discurso bonito.

About
Giuliana Morrone

Sobre a palestrante

Com 34 anos de carreira em jornalismo, sendo 23 deles na Rede Globo, a maior emissora do Brasil, Giuliana Morrone ficou conhecida por cobrir momentos históricos mundiais.

Formada em Jornalismo e especializada em Jornalismo Político pela Universidade de Brasília, conta também com um MBA em ESG pela PUC Rio e especialização em liderança feminina pela Harvard University.

Seu amor pela profissão começou aos 14 anos, quando conseguiu uma entrevista com a poetisa Cora Coralina para o jornal da escola, marcando o início de uma trajetória de sucesso.

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