Provavelmente você já deve ter ouvido falar no conceito de cidades sustentáveis e, também, deve já ter se perguntado: “Isso é realmente possível?”. O ideal que permeia o caminho das cidades que são ecologicamente corretas, socialmente justas e economicamente viáveis é algo que já transiciona do plano teórico para o prático em diversos lugares do mundo. Acelerada pela urgência das mudanças climáticas, percebidas com facilidade pelos acontecimentos narrados pelo jornalismo, e pelo crescimento populacional urbano, a busca por uma gestão pública que priorize o bem-estar dos cidadãos e a saúde do planeta tornou-se o novo padrão de excelência.
Conforme o publicado pela Our World in Data, atualmente, mais de 4 bilhões de pessoas no mundo vivem em áreas urbanas, número superior a metade da população. Segundo uma previsão da ONU, cerca de 68% da população estará em cidades até 2050.
Essa concentração demográfica impõe desafios enormes, como a poluição, o congestionamento, a escassez de recursos e o aumento das desigualdades sociais. No entanto, é justamente nas cidades que reside o maior potencial para a inovação e a transformação.
O que significa ser uma cidade sustentável?
Ser uma cidade sustentável é muito mais do que ter algumas lixeiras de reciclagem ou ciclovias, como alguns acreditam. É um conceito holístico que envolve a gestão integrada de recursos, o planejamento de longo prazo e, principalmente, a melhoria contínua da qualidade de vida de seus habitantes. A sustentabilidade urbana se apoia, essencialmente, nos três pilares do ESG (Ambiental, Social e Governança), adaptados ao contexto municipal.
No pilar ambiental, uma cidade sustentável possui metas ambiciosas para a redução de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), a gestão eficiente de resíduos (com foco na economia circular), o uso de energias renováveis e a proteção de áreas verdes e da biodiversidade local.
Já no pilar social exige equidade e inclusão, garantindo acesso universal e de qualidade a serviços essenciais, como saúde, educação, moradia e transporte público.
Finalmente, no pilar de governança o olhar se volta para a transparência, eficiência e participação da população naquilo que a afeta. A governança sustentável busca a melhores condições nas áreas urbanas e a capacidade de adaptação a choques climáticos ou econômicos.
6 cidades que são exemplos ligados à sustentabilidade
As cidades líderes em sustentabilidade urbana se destacam por suas abordagens que integram diversos pilares, principalmente, os que foram citados acima. A busca pela sustentabilidade não apenas cria cidades melhores para morar, mas são também lugares onde a população possui melhor qualidade de vida, menor custo de vida em longo prazo e maior acesso à inovação.
A seguir, confira alguns exemplos globais e as áreas em que elas se destacam:
- Copenhague (Dinamarca): é mundialmente conhecida por sua ambição de se tornar a primeira capital neutra em carbono, o seu sucesso é impulsionado por um investimento massivo em energia eólica e biomassa, e por um sistema de mobilidade onde mais da metade da população utiliza a bicicleta como principal meio de transporte diário.
- Singapura: a cidade-estado está focada em ser uma “Cidade em Jardim”, ela prioriza a coleta e o reuso de água em um ciclo fechado, além de investir em edifícios verdes, que utilizam tecnologia para otimizar o consumo de energia e água.
- Curitiba (Brasil): um pioneiro em planejamento urbano no século XX, Curitiba ainda é um grande exemplo, especialmente em mobilidade urbana. O sistema de BRT (Bus Rapid Transit) de Curitiba inspirou soluções de transporte rápido em cidades do mundo todo. Além disso, a cidade é conhecida por seu compromisso com áreas verdes e a gestão integrada de resíduos, com programas de troca de lixo por alimentos ou passagens de ônibus.
- Vancouver (Canadá): seu “Plano Mais Verde” visa tornar Vancouver a cidade mais verde do mundo, com foco em edifícios de baixa emissão, redução de resíduos e promoção de uma economia verde, garantindo que 90% dos residentes vivam a uma curta distância de caminhada ou bicicleta de serviços essenciais.
- Amsterdã (Holanda): a capital holandesa está se tornando um laboratório vivo para a economia circular, o que tem a tornado um exemplo para o resto do mundo. Amsterdã não só incentiva o reuso de materiais na construção e a reparação de produtos, como também estabeleceu metas ousadas para reduzir o consumo de novos recursos virgens pela metade até 2030.
- Estocolmo (Suécia): a capital sueca tem olhado no sentido da gestão integrada de energia e resíduos, buscando pela autossuficiência. Eles utilizam os resíduos domésticos e a água residual tratada para gerar aquecimento e eletricidade para a cidade, fechando o ciclo de energia e calor.
Quais são as boas práticas para ser uma cidade sustentável?
A jornada para se tornar uma cidade sustentável é um projeto contínuo que exige planejamento estratégico e a implementação de ações concretas e interligadas. Exemplo disso, são os cases globais que apontam para boas práticas essenciais que podem inspirar a transformação em qualquer lugar.
A primeira boa prática é o planejamento integrado de longo prazo, no qual a cidade defina metas ambiciosas (como a neutralidade de carbono ou a redução de 50% de resíduos) e crie um plano diretor que integre todas as secretarias com o olhar sustentável.
Em seguida, o foco na mobilidade urbana, esse viés deve envolve priorizar o transporte público de alta capacidade (como o BRT), criar uma extensa e segura rede de ciclovias e investir em calçadas acessíveis para incentivar o caminhar.
Um ponto de atenção deve ser a gestão circular de recursos, isso significa que as cidades devem ir além da simples coleta seletiva, para isso, devem pensar em programas de compostagem de lixo orgânico, no incentivo à reparação e ao reuso de produtos, e na parceria com a indústria para a transformação de resíduos em novos insumos e energia.
A inclusão da natureza no ambiente urbano geralmente é o primeiro ponto que pensamos quando falamos sustentabilidade e isso faz muito sentido. Isso significa não apenas proteger parques existentes, mas também criar espaços verdes, como telhados verdes, fachadas vegetais e parques de vizinhança.
Por fim, a transparência e inovação fecham o ciclo de boas práticas. A cidade deve usar a tecnologia (cidades inteligentes) para monitorar o consumo de recursos, o tráfego e a poluição em tempo real. Além disso, é essencial manter a transparência nos dados e nos processos decisórios, utilizando plataformas abertas que permitam a participação ativa da comunidade no planejamento e na fiscalização das ações de sustentabilidade.
O futuro da vida urbana já começou
As cidades sustentáveis são um projeto em andamento, construído a partir de planejamento rigoroso, inovação e, sobretudo, a coragem de repensar a lógica do desenvolvimento. Os exemplos de sucesso ao redor do mundo provam que é possível conciliar o crescimento econômico com a justiça social e a regeneração ambiental.
Para as empresas, essa transformação urbana representa um vasto campo de oportunidades, desde o desenvolvimento de tecnologias verdes para mobilidade até soluções de eficiência energética e infraestrutura resiliente.
Para qualquer negócio que almeja prosperar em um mundo cada vez mais urbano e desafiado pelas questões climáticas, estar por dentro da agenda e entender as demandas de um planejamento urbano sustentável é uma vantagem competitiva e um reforço para a própria relevância no mercado futuro.